domingo, 13 de novembro de 2011

Fechamento do espaço aéreo marca

rocinha - severino silva - 09.11.2011
Blindados da Marinha irão apoiar a ocupação neste domingo

O fechamento do espaço aéreo pela Aeronaútica, na madrugada deste domingo (13)  da pedra da Gávea, na zona sul do Rio de Janeiro  até as 16h, em um raio de 2,8 km, marcou o início da ocupação das favelas da Rocinha e do Vidigal. Após a retomada do território controlado pelo tráfico, será instalada na comunidade a 19ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).
A ocupação da Rocinha marca a tomada de um ponto estratégico na guerra contra o tráfico de drogas, pela localização (entre bairros nobre) e possível eliminação do quartel central de uma das principais facções do Estado. A favela chega a movimentar R$ 2 milhões por semana, de acordo com estimativas da Delegacia de Combate às Drogas, total estimado em R$ 8 milhões por mês, principalmente com a venda de cocaína.
A data da ocupação foi definida durante reunião com o alto escalão da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança há cerca de 15 dias. A opção de também entrar no Vidigal teria como objetivo impedir a fuga de traficantes para a favela vizinha, que está sob o comando da mesma facção. Durante esta semana, policiais à paisana vêm colhendo informações no entorno das comunidades e helicópteros fizeram o mapeamento da região para preparar a ocupação.
De acordo com o coronel Paulo Amêndola, um dos fundadores do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), o cerco para a ação está bem montado.
- As matas da Rocinha e do Vidigal estão sendo vigiadas, o Batalhão de Choque se posicionou embaixo, no asfalto, e o serviço de inteligência está há alguns dias no interior das comunidades.
Rocinha: evite ruas e janelas
A expectativa de confronto entre criminosos e policiais neste domingo diminuiu com a prisão na madrugada desta quinta-feira (10) do chefe do tráfico da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Em conversa informal com policiais, ele disse ter orientado traficantes da comunidade a não reagirem quando a favela for tomada pelas forças de segurança.
No entanto, o antropólogo e ex-capitão do Bope Paulo Storani faz um alerta para os moradores se prepararem para a ocupação.
- As pessoas das comunidades devem evitar circular pelas ruas e ficar longe das janelas. A polícia tem sempre que criar a expectativa de confronto para estar mais preparada. É importante também a demonstração de força para que a população se sinta segura, os policias confiantes e os traficantes ameaçados.
Ao menos três tipos de blindados da Marinha serão usados durante a ocupação. O apoio já foi realizado nas operações para pacificar o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro, na zona norte, no final de novembro de 2010.
Com a Rocinha e o Vidigal, a Secretaria de Segurança Pública fecha mais uma espécie de cinturão de segurança, desta vez na orla da zona sul, já que as favelas de Ipanema, Copacabana, Leme e Botafogo já estão ocupadas. São elas: Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, Ladeira dos Tabajaras e morro dos Cabritos, Chapéu-Mangueira e Babilônia e morro Dona Marta.
19ª UPP
A ocupação deverá ser feita pelo Bope e pelo Choque, que costumam passar, em média, de 45 a 60 dias fazendo varredura nas comunidades antes da implantação da UPP, em busca de armas e drogas. Na Mangueira, no entanto, o Bope permaneceu por quatro meses até a inauguração da 18ª UPP.
Uma vez concretizada a ocupação, a UPP da Rocinha e do Vidigal deve contar com aproximadamente 2.000 policiais, o mesmo efetivo previsto para os complexos do Alemão e da Penha, com inauguração prevista para junho de 2012.
O número não foi confirmado oficialmente pela Secretaria de Segurança Pública, mas, considerando a população, tanto o Complexo do Alemão quanto a Rocinha tem aproximadamente 70 mil moradores cada um, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Colaborou Marcelo Bastos, do R7

Fonte: R7

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